Relações e repetições

Por que repetimos relações que nos fazem sofrer?

Há um momento em que a pessoa se escuta contando algo que já contou antes. Os nomes mudaram, o começo também. Mas a frase que fecha o relato é quase a mesma: “de novo”.

Quem vive isso costuma saber o que faz mal. Não falta informação. O que falta, talvez, é entender por que ela não bastou.

A explicação mais comum — “eu sempre atraio o mesmo tipo de gente” — coloca tudo na outra pessoa. Deixa de fora justamente o que se repete de um lado só: o lugar em que nos encontramos diante de quem foi escolhido. O lugar de quem espera, de quem cede primeiro, de quem se sente sempre um pouco em falta. Esse lugar costuma ser mais constante do que as pessoas que passam por ele.

E o familiar tem uma força curiosa. Não precisa ser bom para ser reconhecível.

Talvez a pergunta não seja “por que eu faço isso de novo?”, mas: o que eu reconheço em cada uma dessas relações? É uma pergunta para deixar aberta por um tempo — e, quem sabe, para dizer em voz alta a alguém que escute sem apressar a resposta.

Quando fizer sentido

Quando fizer sentido, há um espaço para dizer em voz alta o que continua se repetindo.

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