Separações

Por que algumas separações continuam presentes anos depois?

Uma relação termina numa data. Depois, o calendário segue: meses, anos, outras pessoas. E ainda assim certa conversa continua acontecendo por dentro — como se a última palavra não tivesse sido dita, ou tivesse sido dita errada.

Quem vive isso se cobra: “já faz tanto tempo”. A cobrança supõe que o tempo do relógio e o tempo do que sentimos deveriam andar juntos. Mas o segundo tem outra lógica: pode ficar parado numa cena, dar voltas, voltar a um ponto que parecia resolvido.

A pergunta interessante talvez não seja “por que ainda não esqueci?”, mas: o que exatamente ficou, se a pessoa já não está?

Nem sempre é a pessoa que fica. Às vezes é uma pergunta sem resposta. Uma raiva que não teve para onde ir. A vida imaginada, vivida em paralelo com uma nitidez que a real raramente tem. Ou o lugar que ocupávamos diante do outro — e que ficou vazio.

Nada disso é falha de superação. Pode ser sinal de que ali ainda há algo por dizer. Em análise, essas conversas que continuam por dentro podem, enfim, ganhar um interlocutor.

Quando fizer sentido

O que continua por dentro pode encontrar um lugar de escuta.

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