Psicanálise e neuropsicanálise: onde elas se encontram?
Quem lê na minha formação “pós-graduação em Neuropsicanálise em andamento” pode se perguntar o que isso muda na prática. No modo como as sessões acontecem, nada. Vale explicar por quê.
Someone who reads in my training that I am pursuing postgraduate studies in Neuropsychoanalysis may wonder what this changes in practice. In the way sessions take place, nothing. It is worth explaining why.
PorMirelly Costa Reis•Publicado e atualizado em
A neuropsicanálise é um campo de diálogo entre as perguntas que a psicanálise faz há mais de um século — sobre o que se repete sem que a pessoa queira, sobre afetos que não obedecem à razão, sobre memórias que agem sem serem lembradas — e o que se estuda hoje sobre cérebro, emoção, memória e sono. A pergunta é antiga: a psicanálise nasceu de alguém que estudava o sistema nervoso e percebeu que a fala dos pacientes dizia mais do que o que ele localizava no corpo.
Esse diálogo não reduz uma coisa à outra. Um mapa do cérebro não é a biografia de ninguém. Saber o que se ativa quando alguém sente medo não substitui escutar do que essa pessoa tem medo, e por que agora.
Também não é técnica. Não uso exames, aparelhos ou procedimentos neurológicos. A sessão continua sendo o que sempre foi: uma pessoa fala, outra escuta a história, os vínculos, o que insiste em voltar.
Estudo isso porque as perguntas mudam de qualidade quando se conhece mais de um lado do problema. É pensamento, não protocolo. A escuta continua sendo o centro; o estudo é o que a mantém viva.
Neuropsychoanalysis is a field of dialogue between questions psychoanalysis has asked for more than a century — about what repeats against a person’s wishes, about feelings that do not obey reason, about memories that act without being remembered — and what is studied today about the brain, emotion, memory, and sleep. The question is an old one: psychoanalysis began with someone who studied the nervous system and realized that patients’ speech said more than what he could locate in the body.
This dialogue does not reduce one thing to the other. A map of the brain is not anyone’s biography. Knowing what becomes active when someone feels fear does not replace listening to what that person fears, and why now.
Nor is it a technique. I do not use tests, devices, or neurological procedures. A session remains what it has always been: one person speaks, another listens to the story, the bonds, and what keeps returning.
I study this because questions change in quality when more than one side of a problem is known. It is a way of thinking, not a protocol. Listening remains at the center; study is what keeps it alive.
Quando fizer sentido
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