Na sessão

O silêncio durante uma sessão de psicanálise

Em algum momento, acontece. A pessoa termina de dizer algo e não vem a próxima frase. A analista também não diz nada. O silêncio se instala, com uma duração que parece maior do que é.

Na vida cotidiana, o silêncio entre duas pessoas é tratado como um problema. Alguém sempre corre para preenchê-lo. Na sessão, ele não precisa ser resolvido.

Isso incomoda, no início. O silêncio pode parecer prova, exposição, vazio, perda de tempo. Pode dar raiva. E pode, em outros dias, ser um alívio: um lugar onde não é preciso sustentar uma conversa.

O mesmo silêncio, aliás, não é o mesmo. Há o de quem procura uma palavra e não acha; o de quem achou e não quer dizer; o de quem está simplesmente cansado. Não há um significado escondido em cada pausa. Há uma pausa — e o que a pessoa faz com ela.

Por isso a analista não corre para socorrer todo silêncio. Preencher rápido demais costuma fechar o que estava prestes a aparecer. A frase que vem depois de uma pausa sustentada, muitas vezes, vem de outro lugar. E ninguém vai apressar você.

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